CONTO "O PACTO", POR EDUARDO SANTOS

Atualizado: 20 de out. de 2021


Ano passado, os alunos da turma 3º Agro E foram desafiados a escrever um conto de suspense e/ou terror relacionado ao conteúdo da 2ª Geração Romântica mal do século.


Os alunos em trios escreveram um conto de terror, apresentando para a turma. No fim das apresentações os alunos votariam no melhor conto que recebeu um mimo da professora Márcia.


O Conto vencedor foi "O Pacto" de Eduardo Santos que este ano participará do XIV Concurso Nacional de Contos de Araraquara- Prêmio Ignácio de Loyola Brandão.

Estamos torcendo por você!




Em uma noite sombria e fria, o casal Sarah e James Allen deslocavam-se para visitar os parentes de James, senhores William e Emma Allen, na localidade de Stowe Vermont, aproveitando que James tinha tirado uma folga do exército e Sarah saíra de férias da faculdade. A estrada estava com pouco movimento, mas úmida e perigosa, pois havia chovido algumas horas antes naquele local. James estava ansioso para passar as férias de inverno no local em que passou grande parte de sua infância, já Sarah estava um pouco nervosa, pois seria a primeira vez que ela passaria um período consideravelmente longo na casa dos pais de James. Estava tudo muito tranquilo, a viagem estava correndo como o esperado, tirando algumas horas de atraso, o casal nem imaginava o que estava por vir, algo que mudaria o rumo da vida desse casal.

O ACIDENTE

-Amor que horas são? (Sarah).

-Pega meu celular! Está aí do teu lado. (James).

-OK. Nossa já são 11:00 p.m!!! (Sarah).

-Será que os teus pais vão ficar bravos com o atraso? (Sarah).

-Acho que não, porque não temos culpa se a estrada estava ruim! (James).

-Sim, aquela estrada estava péssima! Que bom que já estamos quase chegando! (Sarah).

-Sim, mal posso esperar para ficarmos no quarto apenas eu e você! (James).

-Eiii! Tenha respeito estamos indo para a casa dos seus pais! (Sarah).

-Ok! A senhorita que manda, mas se mudar de ideia... (James).

-Para com isso seu imbecil! (Sarah).

-CUIDADO!!! (Sarah).

E a última coisa que pôde ser escutado, naquele lugar silencioso e afastado, foram os gritos de desespero de Sarah e James.

Três dias após o acidente, James acordou no hospital, confuso e desorientado, quando olhou para a poltrona que estava ao seu lado viu seu pai e sua mãe que estavam aos prantos, mas não viu Sarah. Ao perguntar, não responderam, apenas falaram que ele deveria descansar e que o acidente poderia ter deixado alguma sequela, mas James só lembrava de estar no carro com a Sarah e depois de uma luz forte se aproximando dele.

Após um tempo tentando conseguir respostas sem sucesso, James acaba surtando e ao pressionar seu pai, o senhor William, ele acaba cedendo ao desespero do filho e conta que Sarah havia morrido no acidente envolvendo Thomas um vizinho próximo da família que acabou colidindo com sua caminhonete contra o carro de James.

Quando recebeu a notícia, James ficou em estado de choque, sem reação e após alguns instantes abraçou firme seu pai e começou a chorar desoladamente, desejando ser o morto ao invés de sua amada Sarah.

Uma semana após o acidente, James se encontrava em uma situação decadente, bêbado em uma mesa de bar, afundado em uma depressão, ele havia abdicado do seu cargo no exército e foi morar com seus pais, sua casa foi leiloada, assim como alguns dos seus pertences. Sem emprego, sem perspectiva de futuro, o que restou para James foi chorar a morte de Sarah. Nesse momento, um estranho chega para ele com uma “solução” nada comum para seu problema.

O desconhecido era um homem alto, cabelos castanhos, olhas escuros, mas não quis se identificar. Ele começou a conversar com James como se já o conhecesse de tempos, fez uma proposta que atentou a curiosidade de James e pareceu a solução para o seu problema. Ele ofertou um pacto com um ser conhecido por atender os desejos mais profanos, porém James desconcertado não tinha clareza se tratava de um ser bom ou mal. A conversa era tão envolvente que ele acabou por se desnortear com a voz leve e sedutora do homem e pela riqueza de informações que ele apresentava sobre o pacto, o ser e os desejos que ele costumava atender. Após horas de conversa e muita bebida, James fica cada vez mais encantado e intrigado com o que o homem falava e com todo o conhecimento que ele tinha, o desespero e a angústia alimentavam sua insanidade e ele via naquele pacto a oportunidade de ter Sarah novamente. Ele não tinha muito tempo, tal ritual deveria ocorrer em no máximo um mês após a morte da pessoa, pois senão nem o próprio Lúcifer conseguiria ressuscitar o corpo já pútrido. Desesperado James não via outra escolha senão arriscar-se naquele pacto, pois para ele não havia mais nada a perder. Então, pegou seu carro e foi até o lugar indicado pelo desconhecido.

Seguindo as coordenadas que foram dadas a ele, James acaba chegando em uma floresta e com mais alguns minutos de procura por uma estrada escura e esburacada, James encontra uma velha e pequena Igreja, um lugar vazio, frio e em ruinas com uma fachada nada chamativa. Ao entrar, James se depara com alguns bancos velhos e já podres atirados para todos os lados, as pinturas das paredes já apagadas se tornavam de difícil interpretação e seu visual fazia com que James repensasse sua decisão, mas ao se deparar com um altar sujo e gasto pelo tempo, James vê uma caixa no centro dele e é aí que tudo começa.

O PACTO

Ele então pega a faca que está dentro da caixa e se corta deixando o sangue escorrer, ele ao colocar sobre a mesa a caixa com seu sangue sente as paredes tremerem. Então, quando menos espera aparece um ser misterioso no corpo de uma bela mulher sedutora e que atendia pelo nome de Kesabel.

- O que você deseja James? (Kesabel).

Falou Kesabel, aproximando-se de James com um olhar penetrante e sedutor;

-Como sabe meu nome? E quem é você? (James).

-Perdoe-me não me apresentei, meu nome é Kesabel e eu sei de muitas coisas, mas agora me diga o que você deseja? (Kesabel).

- Eu preciso de ajuda! Um favor! (James).

- Um pacto é o você deseja! Mas o que o trás até mim? Problema financeiro? Impotência sexual? Dívidas de jogo? (Kesabel).

- Não! É minha esposa, ela morreu e eu quero que você a traga de volta! (James).

- Isso pode lhe custar muito caro e acabar trazendo danos quase irreversíveis. Mas diga-me por que quer tanto sua esposa de volta? (Kesabel).

-Não me importo com os riscos apenas quero minha Sarah de volta! Eu a amo muito e faria de tudo para tê-la novamente em meus braços. (James).

- Pois bem, se é isso que desejas eu o farei! Mas já vou avisar que ela não será a mesma Sarah de antes, trazer uma pessoa de volta do mundo dos mortos pode acarretar alguns riscos! E isso tudo não será de graça você estará em débito comigo! (Kesabel).

- E o que terei de pagar a você? (James).

Kesabel aproxima sua boca a James e fala em seu ouvido;

- Quero sua alma e te darei sua esposa novamente, você vai ter um longo e prazeroso tempo para aproveitar com ela, e por fim ficarei com a alma dos dois. Mas devo ressaltar que ela não virá como antes, virá mais apaixonada e com seus sentimentos mais aflorados ou talvez com falta de alguns sentimentos. (Kesabel).

- Tudo bem, estou disposto a correr este risco. (James).

- Você tem certeza? (Kesabel).

- Sim (James).

- Ótimo (Kesabel).

Então Kesabel com seu olhar sedutor e penetrante aproxima sua boca a boca de James e lentamente o beija, um beijo estranhamente prazeroso e gélido ao mesmo tempo, assim selando o pacto, e em uma fração de segundos Kesabel some, deixando James sozinho novamente naquela ruína fria.

James a caminho de casa fica pensando em tudo aquilo e no que teria feito e se o anjo com que ele havia feito o pacto realmente cumpriria sua palavra. Ao chegar na casa dos seus pais, ele nota que a porta está destrancada. Logo, James lembra do que Kesabel havia falado para ele. James entra na casa com bastante cuidado, surpreendentemente, ele se depara com o jantar sobre a mesa.

- Boa noite amor! Estava a tua espera, o jantar já está pronto, fiz seu prato preferido: lasanha. (Sarah).

- Sarah!? Não acredito que é você amor. (James).

- Claro que sou eu amor, quem mais poderia ser? (Sarah).

- Estava morrendo de saudades de você! (James).

- Eu também estava, mas vamos jantar se não irá esfriar! (Sarah).

- Claro meu amor, só vou tomar um copo de água e já vou aí. (James).

Quando James vai na cozinha observa sobre a pia uma faca ensanguentada, mas James estava tão feliz e emocionado que pensou que ela tinha usado apenas para fazer a janta, mas Sarah não havia usado para esse fim. Ele estava surpreendido em revê-la e não pensava em outra coisa a não ser, aproveitar esse tempo ao seu lado.

No dia seguinte, James acorda com o café da manhã na cama e junto um bilhete que ela havia escrito avisando que tinha ido ao mercado e que logo voltaria. Enquanto toma seu café, ele ouve a notícia que passa na TV sobre o assassinato de Thomas, o qual teria sido morto na noite anterior com 5 facadas no peito.

James fica espantado ao ouvir essa notícia, quando Sarah chega, ele conta a notícia. Ela demonstra estar surpresa e diz não saber nada sobre o assunto, então ele vai para a cidade fazer alguns bicos como vendedor e Sarah fica em casa.

Nesse meio tempo, William resolve fazer uma parada para visitar seu filho e a casa para pegar mais algumas roupas dele e de sua esposa para voltar a casa de alguns parentes que ele havia ficado um tempo de visitar. William também estava preocupado com a notícia do assassinato que ele viu na televisão por um momento ele pensou que o assassino poderia ter sido o filho talvez movido por revolta ou vingança, mas quando William chega na casa encontra apenas Sarah, que está na cozinha lavando os talheres e a faca que ainda estava com um pouco de sangue.

- Sarah como você está viva? (William fala com a voz apavorado).

- Não sei. Apenas acordei aqui!? (Sarah).

- E esta faca? O que você estava fazendo com ela? Por um acaso não foi você que matou Thomas foi? (William).

- Senhor William eu não tive escolha, ele havia me matado naquela noite, o senhor sabe disso! (Sarah).

- Não acredito!!! Você fez isso!? E dizer que por um momento desconfiei do meu filho. Mas agora vou contar a ele, pois ele corre sério risco com você! (William fala indo em direção a Sarah).

- VOCÊ NÃO VAI FALAR COM ELE, ELE NÃO PODE FICAR SABENDO! (Sarah)

Sarah pega do fogão uma frigideira com óleo quente e joga no senhor William que não consegue se defender.

Mesmo aos gritos de William, Sarah bate com a mesma frigideira múltiplas vezes na cabeça dele, que mesmo tentando, não conseguiu reagir ao ataque e acabou morrendo com a cabeça toda cheia de ferimentos.

Sem demonstrar sentimento algum, Sarah sai em busca de um lugar para enterrar o cadáver de seu falecido sogro. Nesse meio tempo, o moribundo ficou estirado no chão gélido da cozinha.

Alguns minutos depois Sarah repara que tem um armário vazio em sua cozinha e decide colocar o corpo já gelado de William nesse armário. Depois de “guardá-lo”, ela escuta um barulho vindo da frente da casa, era Emma que preocupada com a demora do marido vai até a casa para verificar se está tudo bem. Quando chega na casa, ela repara que a porta de um dos cômodos do andar de cima está aberta e vai até lá para ver se seu marido não está lá. Enquanto Emma subia as escadas, Sarah saiu de um dos quartos correndo até as escadas empurrando Emma que cai batendo com a cabeça, sofrendo de um derrame Sarah visando livrar-se da culpa resolve ligar para James que liga para a emergência.

Ao receber a ligação James não pensou duas vezes e foi até o hospital, onde ouviu de Sarah que Emma havia caído “acidentalmente” das escadas e teve um derrame. James resolveu ver como sua mãe estava. Chegando no quarto do hospital, James vê sua mãe na cama sem conseguir dizer uma palavra, mas com um semblante de medo e desespero, ela tentou várias vezes sem conseguir entrar em contato com James que decidiu ficar com sua mãe no hospital.

Após alguns dias no hospital com sua mãe, James resolve ir para casa ver Sarah e tentar notícias do seu pai que não era visto desde o dia em que a Emma havia caído. Quando James chega em casa encontra Sarah deitada no sofá, ele vai até a cozinha pegar água, quando chega percebe um cheiro podre, e ao abrir o armário vê o corpo de seu pai já apodrecendo, quando olha para trás Sarah está parada atrás dele.

- EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FOI CAPAZ DE FAZER ISSO!!! (James).

- Amor eu não tive escolha ele queria te afastar de mim!!! (Sarah).

- Ele era meu pai! Como teve coragem! Mas ele estava certo, eu devo me afastar!!! (James).

- NÃO FAZ ISSO!!!Se não vou ter que tomar medidas drásticas. (Sarah).

- E quais seriam estas medidas?! Por um acaso pretende me matar!?!? (James).

- Se for preciso para te manter ao meu lado... (Sarah).

Ela fala isso indo para cima dele com uma faca, mas James é mais forte e mais rápido e consegue escapar. Ele pega seu carro e vai até a pequena igreja, onde o pacto foi feito, para assim tentar corrigir seu erro.

O ARREPENDIMENTO

James passou o caminho inteiro pensando como conseguiria desfazer o pacto, pensamento em vão, pois mesmo com muito esforço, ele não conseguiria o desfazer, mas sim, talvez, ofertar outro que compense. Ele não tem certeza, só sabe que tem que resolver isso antes que mais pessoas morram.

Então, ele repete todo o ritual da primeira vez, e dessa vez Kesabel demorou mais para aparecer, aumentando o seu desespero...

- ONDE VOCÊ ESTÁ?!?! APAREÇA!!!! (James).

- Olá James! O que aconteceu? Parece estar preocupado com algo. (Kesabel).

- Não seja irônico, preciso da sua ajuda urgente! (James).

-Tenha calma James, com esta arrogância não vai conseguir nada. Mas diga-me o que te traz de volta tão cedo? (Kesabel).

- É a Sarah, ela está maluca fora de controle, assassinou meu pai, deixou minha mãe em coma e tentou me matar! (James).

- Eu avisei que ela voltaria diferente, mais interessante eu diria. (Kesabel).

- Mas não assim! Aquela não é a mulher por quem me apaixonei (James).

- Pois é, eu avisei que a morte muda as pessoas! Não!? (Kesabel).

- Quero desfazer o pacto, acabar com tudo isso! (James).

E com uma risada sarcástica e um sorriso de deboche Kesabel responde;

- Não é assim que as coisas funcionam meu caro. Temos regras e eu as expliquei bem. Não podemos desfazer pactos!!! (Kesabel).

-Ok!! Então que tal outra proposta??? (James).

- Você acha mesmo melhor fazer outro pacto??? Olha que o novo pacto pode não ser bom para você!!! (Kesabel).

- Eu estou disposto a tudo!!! Apenas acabe logo com isso!!!! (James).

- Você terá apenas 3 opções, escute com atenção, pois vou falar apenas uma vez! (Kesabel)

- Na primeira opção, você poderá viver sete anos contando a partir do nosso primeiro pacto, terá tua mãe saudável, Sarah morrera e ao fim desse tempo mandarei um dos meus para ceifar sua alma. E me fará companhia pela eternidade, sofrendo o que jamais sofreu, no calor incessante do inferno. (Kesabel)

- Em sua segunda opção, você vai se livrar de Sarah e de sua passagem ao inferno, podendo viver tranquilamente o resto de sua vida, mas sua mãe sofrera até seu último suspiro de vida e após sua morte, sofrera muito mais ardendo no fogo do inferno. (Kesabel).

- E por último, sua mãe vai se recuperar e viverá o resto de sua vida medíocre, mandarei um dos meus para eliminar Sarah, já você terá de trabalhar para mim o resto de sua vida, e ao final, vou escolher seu destino, se irá ou não ao inferno, isso tudo dependera do quanto cumprir pedidos. (Kesabel).

- Te darei exatas 6 horas para tomar esta decisão, até lá tenha cuidado, pois Sarah está sanguinária como nunca e quanto mais você tentar fugir mais ela matará em teu nome. (Kesabel).

Após falar isso, Kesabel some como um sopro gelado que trazia mais morbidez aquele local, James assustado e sem reação acaba por chorar, não sabia se de raiva, medo ou desespero, então resolve ir até seu carro olhar um pequeno álbum de fotos que estava no porta luvas.

Olhando as fotos, James pensava apenas em como sua vida era boa antes de tudo aquilo e como nunca voltaria a ser o que era, mas ele ainda tinha a chance de viver o resto de sua vida normalmente ou pelo menos era aquilo que passava pela cabeça dele, então James sai do carro e se dirige até a ruina onde evocaria Kesabel.

- Pensei que demoraria mais para tomar sua decisão. (Kesabel).

- Não. Tenho que terminar logo com isso tudo! (James).

Disse James com um olhar de tristeza, mas decidido de qual decisão tomaria;

- Parece nervoso, está tenso tenha calma e cuidado ao tomar esta decisão! (Kesabel).

Diz Kesabel, aproximando-se de James, passando as mãos lentamente sobre seus ombros;

- Eu estou calmo, apenas não quero acabar tomando a decisão errada novamente, já estraguei tudo uma vez não quero fazer de novo! (James).

- Pois bem, diga-me, qual das decisões você vai tomar? Seu tempo está se esgotando! (Kesabel).

Mas antes que James pudesse responder, ele escuta a porta daquela velha ruína ranger, então se vira lentamente e com um grande susto James cai ao chão, com um olhar de desespero vem a desmaiar, com fulminante pavor.


Obs: Imagem da rede de internet, não é de nossa autoria.

7 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo