Paródia


Poema da Lúcia Haigert


José

E agora, José? A ansiedade começou, a respiração ofegou, o coração acelerou, a mão tremeu, e agora, José? e agora,ansiedade você que vem sem aviso, que zomba de nós, você que não deixa dormir, que faz mal, porque? e agora, José?

Está sem chão, está sem amigos, está sem carinho, já não pode chorar, já não pode se desesperar, remédio já não pode, a noite esfriou, a ansiedade veio, o choro veio, o desespero veio, não veio os amigos

e tudo acabou e tudo desabou e tudo começou a não fazer sentido, e agora, José?



E agora, José? Seu choro, sua tremedeira, seu coração acelerado, seu desespero seu pedido de ajuda, seus pensamentos incontroláveis, sua inquietação, sua ansiedade — e agora?

Como lidar com isso quer fugir, não existe fuga; quer morrer, mas não tem coragem; a família acha que é frescura. José, e agora?

Se você gritasse, se você gemesse, se você esperneasse por um momento de paz, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse... Mas você não dorme, você é fraco, José!

Sozinho no escuro no seu quarto sem amigos, sem familiares, sem um apoio, você tem que lutar,José! mas como,José?



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