• manurosa3011

SHNAI - EPISÓDIO PILOTO: O AVIÃO

Atualizado: 13 de Dez de 2020

Um conto por Manuela B.R. do 1° ADM B/IFSVS


(capa miserável feita por mim : )


(Não é miserável nada, ficou linda a capa, super original Profª Marcia) rsrs




Santo Humberto do Norte e seus Acontecimentos Inimagináveis


Episódio Piloto – O Avião



Você provavelmente conhece aquele negócio das pílulas, aquela pergunta de escolha que muita gente faz. Se desconhece, funciona assim: Há duas pílulas, uma você descobre o dia de sua morte e a outra o motivo de sua morte, mas você só pode escolher uma delas. Qual você iria tomar?

Eu, sinceramente, escolheria saber o dia, até por que (se essas pílulas realmente existissem e se eu realmente tivesse que escolher qual que eu iria ingerir) se eu escolhesse saber o motivo, e descobrisse que seria algo envolvendo aviões, eu estaria com sérios problemas semana passada.

Era uma quarta-feira ensolarada de agosto, não muito diferente de quartas-feiras normais. A aula tinha acabado e eu estava saindo da Escola Municipal de ensino Fundamental Santo Humberto, que tem esse nome em homenagem a nossa cidade, Santo Humberto do Norte (aliás, por trás desse “do Norte” tem uma história confusa: há 60 anos atrás um vilarejo ira se tornar um município, e o nome dessa município (o meu município) era para ter sido apenas Santo Humberto, porém, uma cidade próxima a nossa também queria esse nome, e chegou até a intimar um processo. Acabou que o nome dessa cidade se tornou Santo Humberto do Sul, e a nossa, do Norte, mesmo sendo apenas 5 km “acima” da outra.).

Resolvi ir na farmácia onde minha prima trabalhava, para passar dar um oi e comprar um shampoo, porque o meu havia acabado faziam alguns dias e eu surrupiava o do meu pai. Descobri que a parente estava de folga e comprei um shampoo para cabelos lisos. Quando saí e comecei a andar à caminho de casa, tive uma surpresa desagradável: atrás de mim, caminhando com aquele andar superior, estava Elisa. E ela me seguia.

- Tá me seguindo por que, hein? – resolvi perguntar, sem olhar para trás e sem parar de caminhar.

-Não sei se você esqueceu, mas a minha casa é na mesma rua que a sua, querida – respondeu a fingida, no momento em que me virei para encarar aquele sorriso ladino e debochado. Que vontade de socar um rosto hoje.

- Acho melhor atravessar a rua, então, sua casa é do outro lado – falei enquanto parava bem na frente dela e cruzava os braços, enquanto observava aquele sorriso e olhar irritado.

- Se for pra não ter que olhar essa su... espera, o que é aquilo? – ela olhou confusa para o céu, até parece que eu cairia nessa brincadeira infantil.

- Acha que eu sou idiota?

- Não, é SÉRIO, olha pra lá – ela aponta para o azulado do céu e eu decido olhar. Por algum motivo que eu não sei qual, três aviões (EM PERÍMETRO URBANO!) estavam fazendo... acrobacias? Atirando entre si? Eu não consegui entender o que acontecia lá em cima, só sabia que coisa boa não era. – Por que eles tão’ fazendo isso?

- E você acha que eu vou saber? Só sei que eles não podem fazer isso em zona urbana. Será que é o exército? – quando eu fechei a boca, dois dos aviões quase se chocam no ar, e ambos entram em uma queda livre. Um dos aviões consegue voltar ao controle, mas um deles parece não fazer o menor esforço para voltar. Eu levo um susto. – NEM FERRANDO, O QUE É ISSO?

- MEU DEUS DO CÉU, O QUE TÁ ACONTECENDO AQUI? – no momento em que ela grita essas palavras, saímos correndo, porque, na nossa mente, ele vinha em nossa direção. Logo que corremos, vimos as pessoas que passavam na rua extremamente assustadas com o que acontecia.

Por algum milagre, o piloto volta a ter o controle e faz um pouso forçado, porém bruto, despencando com o avião perto do parque central, bem distante do local onde estávamos anteriormente (enfim, não era preciso correr).

- O que foi isso? – a minha companhia perguntou, e eu fiquei em silêncio (nem eu entendia nada daquilo) enquanto corríamos em direção à praça para talvez conseguir algumas explicações do que aconteceu.

A imagem que tivemos ao chegar lá era de um avião (quase) completamente destruído, duas árvores caídas com o impacto do mesmo, um casal de idosos (Dona Ediana e Seu Otilismar, que moravam em frente ao parque) aterrorizados, um homem de meia idade assistindo um rapaz tentando tirar um piloto desacordado da aeronave, enfim, um caos completo que eu nunca imaginei assistir.

Incrédulas, nós só assistimos e não abrimos a boca. Porém, nosso silêncio é quebrado quando recebo uma ligação, e eu atendo.

“Bianca, tá’ em casa?”

- Pai, você não vai acreditar no que aconteceu, ouviu esse barulho? – eu falo rápido, desviando o olhar dos destroços.

“Sim, por isso perguntei! O que é que foi isso? Você tá bem?”

- Pois bem, um AVIÃO caiu aqui na frente da casa da Dona Ediana, mas eu estava bem longe quando ele despencou. – respondo enquanto olho a coitada da senhorinha, a mais gentil do bairro inteiro, não entendendo o ocorrido.

“... Eu não duvido de mais nada. Se cuida, eu vou fechar a loja e ir aí.”

- Tá’ bom – eu desligo, enquanto voltava a olhar para a infeliz cena, onde uma ambulância tinha chegado há alguns segundos, saindo dois homens e uma mulher que vão ao encontro do piloto, que aparentemente tinha sobrevivido (aqueles últimos segundos em que ele recuperou o controle salvaram a vida dele).

- E agora, será que esse cara sobrevive? – Elisa me pergunta, bastante abatida.

- Eu não sei, não sei de nada, não sei nem o que fez ele cair. Aliados? Inimigos? Não sei – eu comento enquanto duas pessoas vem em nossa direção.

- Vocês viram o combate que deu lá em cima? Com certeza é a força aérea do outro estado. Os governadores já estavam discutindo entre si, tem aquele negócio de corrupção que dá na televisão e aquele general morto. – diz de maneira calma, porém preocupada, o homem mais velho, que assistiu à cena do piloto sendo tirado dos escombros.

- Mas e se isso for uma guerra? Eu não quero que isso aconteça, não agora, por favor. – disse o rapaz responsável por tirar o piloto da antes aeronave. Claramente estava desesperado e tremia enquanto falava – eu não quero morrer, MEU DEUS! – realmente, o garoto estava surtando com tanta informação.

- O quê? Guerra entre estados? Tipo, revolução armada? – eu comentei, já com medo do que isso poderia se tornar.

- Tomara que não. Acho que isso foi só um... mal entendido. – a minha companheira de desastre comentou, enquanto o senhor que conversávamos desaprovava.

- Então o que foi aquilo em cima, hum? Um ensaio? Um treino normal, no céu de uma cidade de 30 mil habitantes? Menina, estamos ferrados, acredite. – por mais que o homem tivesse convicção do que falava, eu não sabia se acreditava. Não era possível que fosse real, mas será?

- Bom... vamos embora, Bianca – Elisa dizia enquanto me dava um puxão no braço para sairmos daquele lugar.

- Você pode parar de ser desagradável só por um momento? – eu indaguei a bruta enquanto saíamos do parque e íamos à nossa rua, com passos lentos.

- Olha, eu não te suporto, mas você mora à 50 metros de distância da minha casa, então, vou ter que te aguentar – ela diz com aquele sorriso sínico dela. Ela faz isso de propósito, pra me irritar, como sempre.

- Da última vez que discutimos uma AERONAVE caiu do céu, então é melhor s– quando eu começo a falar, eu percebo que, mais uma vez, estavam sobrevoando a cidade, mas agora era um grupo de talvez 6 à 8 aviões. – Aaah não, DE NOVO NÃO.

- ESPERA, será que aquele moço estava certo? – Elisa diz enquanto olha para o céu, assustada, como da última vez. – É conflito entre estados? Pelo amor de Deus, não. – no momento em que ela termina a frase, eu ajeitei os meus óculos e percebi que aquelas coisas tinham... armas.

- Elisa, acho que é melhor a gente se esconder... – eu falo, paralisada. – será que aquele cara que caiu no parque naquela hora era um dos nossos, tentando parar dois inimigos, pra não rolar um confronto armado? – Na hora, ouvimos barulhos de tiros. TIROS???

- EU NÃO SEI, SÓ VAMOS SAIR DAQUI – ela grita pra mim, desesperada, enquanto as aeronaves sobrevoavam a cidade numa altitude muito mais baixa que a permitida.

Em uma ação automático do corpo, quando está em situação de perigo, eu a puxei e corri direto para casa, porque MEU DEUS, eu achava que os aviões estavam disparando nas pessoas da cidade, ouvia gritos e o som das aeronaves eram estrondoso e infernal.

Abri a porta com a minha chave o mais rápido que consegui, a fechando e logo depois me escondendo junto com a Elisa debaixo da mesa da cozinha.

- VOCÊ OUVIU OS GRITOS? – ela me perguntou, o barulho que os aviões faziam era cada vez maior.

- SIM, MEU DEUS O QUE TÁ’ ACONTECENDO? CADÊ O MEU PAI? PORQUE ISSO?

- AAAAAAAAAAAAH, QUE INFERNO! – ela tapa as orelhas com as mãos e fecha os olhos (como se isso adiantasse alguma coisa).

- Filha? O que é isso? – eu não tinha visto o meu pai chegar, o som que a garagem fazia não era o bastante em comparação ao som das aeronaves. – Espera, o que vocês acham que tá’ acontecendo? – ele começa a rir da nossa cara. Como ele tem coragem de fazer isso no meio de um TIROTEIO?

- PAI, SAI DAÍ, ELES PODEM TE ACERTAR PELA JANELA! – eu grito e ele cessa a risada, vendo o meu choque.

- Eu não sei o que vocês pensaram, mas não tem nenhum tiroteio, eu acho. – os sons que ouvíamos começaram a cessar, sem mais gritos, os aviões estavam indo embora e... os tiros? Bem, começamos a ouvir rojões, apenas.

- O que? – Elisa, que estava confusa com tudo isso, entende o que aconteceu. – Ah não, nós somos muito burras, pelo amor de Deus, Bianca.

Nós saímos debaixo da mesa, e meu pai nos contou o ocorrido.

Na hora da ligação, ele fechou a loja, da qual é dono, e foi de carro em direção à praça. Ao chegar, ele se deparou com os escombros, além de uma moça fardada que estava tentando acalmar um rapaz (aquele que conversara conosco) enquanto um outro homem, mais velho (o outro que conversara conosco) observava, com um sorriso. Pelo que meu pai nos disse, esse cara é um charlatão, costumeiro de assustar as pessoas, com as teorias malucas em que ele acreditava ou criava. Ele sempre foi muito convincente, tanto que já entrou em várias brigas num bar da cidade por ter inventado alguma coisa absurda sobre alguém. Logo depois do rapaz entender o que tinha acontecido, quase pulou pra cima do senhor, que já estava rindo e se achando por ter o enganado tão bem. A soldado o conteve, e logo meu pai foi falar com ela.

Aparentemente, dois novatos das forças armadas haviam sido parados por um veterano que observava a habilidade dos rapazes no controle de aeronaves, ficou interessado, logo fazendo uma proposta extremamente arriscada, e que não acabou muito bem. O soldado veterano queria ver se os dois novos integrantes (que estavam se achando os maiorais por causa de suas habilidades) sabiam algumas acrobacias. Se soubessem executá-las de forma correta, ele ensinaria algumas novas táticas de pilotagem, que serviriam bastante para impressionar o resto do pelotão. Mas, em contraponto, deveria ser em alguma zona urbana, para dar um ar de adrenalina a mais, já que eles eram tão bons quanto falavam. Os soldados, com um ego bastante elevado e não muito inteligentes, resolveram aceitar a proposta.

Então, na hora do almoço, os três partiram em rumo à Santo Humberto do Norte, a cidade mais próxima, onde eles sabiam que seus atos não iriam dar problemas. Quando chegaram, os novatos fizeram algumas manobras não tão interessantes, e o veterano comunicou no rádio que queria ver um 360°. Logo, os dois rapazes, não experientes com esse tipo de dificuldade, tentaram executar a manobra, um deles de forma um tanto... imprudente. O mais velho dos dois conseguiu, e muito bem, mas o mais novo, ao ter alguns problemas de localização, quase atropela o veterano, obrigando o mesmo, e a si próprio, a entrar em queda livre. O veterano logo volta ao controle, mas havia algo muito errado com a aeronave do novato. Dentro do avião, um jovem desesperado tentava voltar para cima, mas, no momento de adrenalina, se esqueceu de alguns comandos. Com a volta à realidade, ele consegue se estabilizar um pouco e tenta fazer um pouso forçado, não muito bem executado, e caiu no parque central. Aquele tipo de aeronave não tinha paraquedas.

Os dois que ainda estavam no céu saíram em disparada de volta ao campo de treinamento, onde relataram o ocorrido e voltaram de forma aérea com alguns outros pilotos para observar o estrago, se deslocando mais próximos ao chão que o permitido, enquanto um grupo de soldados (a moça fardada era uma deles) iria por terra até a cidade tentar amenizar o transtorno e descobrir a situação do infeliz novato, que quebrou alguns ossos, mas não sofreu danos mais severos.

Com essa informação, meu pai estava voltando para casa e viu alguns moleques jogando futebol, soltando rojão (esses desgraçados adoravam assustar os coitados dos cachorros de rua com o barulho) e dando alguns gritos exagerados, o que justifica os gritos e os “tiros” que ouvíamos.

- Eu não acredito no quão idiota eu fui de acreditar na lábia daquele velho – falo, ao lembrar da convicção que aquele homem tinha ao falar que estávamos em guerra.

- Não foi só você, até me decepcionei comigo mesma. – Elisa faz uma pausa, parecendo lembrar de alguma coisa - Bom, vou ir pra casa. – ela diz, enquanto meu pai vai abrir a porta para ela.

- Então quer dizer que o estado vizinho quer bombardear a nossa cidade, né? – meu pai caçoa da minha cara, depois que a falsa ruiva vai embora.

- Não enche, por favor. Eu fui muito burra, mas eu estava sob pressão, poxa. – digo, cabisbaixa.

- Não, tudo bem. Mas da próxima vez, não dê ouvidos à teorias da conspiração. – Ele diz com um sorriso amigável, enquanto vai para outro canto da casa.

Eu me levantei da cadeira, tomei um pouco de água, e fui em direção ao meu quarto para pensar um pouco. Deitei na minha cama e tentei refletir um pouco sobre tudo que aconteceu nesse dia estranho.

Um avião caiu na minha cidade, cara.




E aí, gostou? Se eu tiver alguns feedbacks positivos, continuarei a série!

Se tudo correr como o planejado, pretendo mudar um pouco o outfit da personagem Elisa, pois imaginei ela de uma maneira um pouco diferente (até porque meus desenhos não favorecem ninguém). Também vou treinar um pouco alguns backgrounds para não passar vergonha, e provavelmente farei mais algumas mudanças e adicionarei bastante gente nessa história!


Valeu por chegar até aqui, até breve!

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